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Campo devolvido pela Petrobras pode interessar a empresas

Publicado em 04/01/2017 Editoria: Economia Imprimir


O campo de Piracucá, em águas rasas na Bacia de Santos, devolvido pela Petrobras e pela Repsol/Sinopec à Agência Nacional do Petróleo (ANP), poderá despertar o interesse de empresas petrolíferas de médio porte. O campo é de pequeno porte com reservas principalmente de gás natural e óleo condensado (leve), estimadas em cerca de 200 milhões de barris de óleo equivalente. Segundo especialistas, ao mesmo tempo que não é economicamente viável para grandes empresas, é interessante para empresas médias.

A Petrobras explicou que decidiu devolver o campo por não ser economicamente viável. "Estudos comprovaram não haver viabilidade técnico-econômica para o desenvolvimento da produção do Campo de Piracucá", informou a Petrobras ontem.

Para o geólogo e especialista Pedro Zalán, a complexidade do reservatório do campo, aliada aos elevados investimentos que seriam necessários para o seu desenvolvimento — que incluiriam a construção de um gasoduto — motivaram o consórcio Petrobras/Repsol/Sinopec a devolver a concessão. Ele lembrou que a Petrobras vai produzir muito gás natural nos campos do pré-sal, que é associado ao petróleo, e portanto não faria sentido gastar recursos elevados num momento de redução de gastos pela estatal para desenvolver a produção desse campo.

— Se a ANP decidir licitar este campo no futuro, empresas como a Karoon, a PetroRio e a Queiroz Galvão talvez se interessassem por este ativo. Será uma boa oportunidade para empresas de porte médio que queiram investir em uma descoberta já comprovada e dimensionada, em águas rasas, em frente ao maior mercado consumidor de energia do país, que é o estado de São Paulo — destacou Zalán.

O Campo de Piracucá foi descoberto pela Petrobras no bloco BM-S-7, que tinha sido operado anteriormente pela Chevron, obtido na rodada da ANP em 2000. A companhia americana tinha perfurado dois poços secos e desistiu do bloco. A Petrobras assumiu a operação, reinterpretou os dados, descobriu as jazidas e perfurou vários poços para delimitar as reservas. A comercialidade foi declarada em Abril de 2009.

O campo fica no pós-sal, entre 200 metros a 300 metros de profundidade do nível do mar. De acordo com Zalán, o campo tem uma geologia complexa porque os reservatórios são fragmentados em várias acumulações independentes pela ação do sal.

— Provavelmente, há problemas técnicos (qualidade do gás, complexidade das acumulações) e econômicos (a produção do gás requereria a construção de um gasoduto até o litoral de São Paulo) que fizeram as companhias desistir do desenvolvimento o campo — destacou ele.

E preciso lembrar também que as duas companhias estão em processo de desenvestimento. O geólogo lembrou que a Repsol vendeu sua operação no pré-sal em Campos, como Pão de Açúcar e Gávea, para a Statoil. E a Petrobras está em com um programa forte de vendas de ativos que no ano passado atingiu US$ 13,6 bilhões, e tem como meta de chegar a US$ 21 bilhões em 2017/18.

— Por tudo isso, pequenos campos não interessam no momento à Petrobras, ainda mais de gás no mar — afirmou Zalán.

› FONTE: Globo